sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Filtro

Não sou mau por utilizar suas próprias palavras contra você. Foi você quem não escolheu bem o que disse há tempos atrás. E se você não quiser mais me ouvir, feche a porta da sua casa… mas nunca, nunca mais abra-a novamente para tentar me encontrar. Não estarei ali. Não estarei lá. Não estarei em lugar algum sem que seja, se estiver, no teu pensamento.

Eu criei um mundo perfeito, o qual você ilustrou quando estava aqui. Quando se foi, percebi que era só uma maquiagem à destruição. As flores murcharam, os rios se secaram, o caos se estabeleceu. Porém, ainda existe uma gota, uma flor e um artifício de paz. Então perco-me em pensamentos de que esse sempre foi o mundo que criei.

Nem tente mudar agora, nem queira. O tempo já passou e eu… não estou mais debaixo da árvore daquela esquina a lhe esperar. Talvez um dia eu volte… ou o tempo passe novamente.

Diálogo subconsciente

A: E agora?

B: Seria ótimo se você conseguisse por um momento esquecer de tudo.

A: Como se faz isso?

B: Anula algumas variáveis, enumera metas e siga em frente!

A: … mas e…

B: Deixe!

A: Como pos…

B: DEIXE!

A: Você sabe que não consigo!

B: A opção de sofrer é toda sua.

A: … mas eu não quero sof…

B: ENTÃO MUDE!

A: EU QUERO MUDAR! … mas não quero deixar certas coisas para trás…

B: Cai na real! O passado só está te matando!

A: Engano seu! É só por isso que estou vivo!

B: Rio agora ou depois?

A: O que foi?

B: Uma hora você cai na real…

A: Como assim?

B: Não digo que deves desistir de tudo, mas seguir um outro caminho. Talvez um dia dê pra você voltar…

A: Como farei isso se o que me fazia bem ainda vive em mim?

B: “Fazia bem”. Hoje só te condena a estagnação da dor presente em si.

A: Existem horas que eu quero morrer…

B: Não seja tolo, se você morrer eu também morrerei.

A: Então me ajude!

B: A todo momento eu prego pensamentos a você e você os tapa com fotografias de momentos vividos, deixando-me como se eu fosse algo ruim.

A: Eu sou um alguém ruim?

B: Você é o que de melhor se pode existir. O único problema é que quando você cai, quem aprende sou eu… por isso você insiste em se parecer despedaçado.

A: Então somos feitos um para o outro!

B: Exatamente, coração.

A: É… a prova de minha não desistência está em você, razão.

Zero hora

As luzes estão acesas, mas a que horas elas se apagarão? Porque insiste em clarear o meu vazio? Porque insiste em me mostrar que nada conquistei além de… amadurecimento?

Um minuto se passa e milhões de dúvidas poderiam surgir. Basta observar um fragmento de algo e imaginar… Mais dois minutos se passam e as palavras tornam-se adversárias do tempo. Seria prático dizer que o tempo trás as palavras, ou seria mais aceitável dizer que nem tudo se transpõe ao mesmo tempo? Seria privilégio poder enumerar tudo o que se sente em um mísero papel ou seria melhor nunca saber descrever?

Talvez um disfarce em forma de máscara seja o melhor que se pode conquistar quando não se sabe mais esconder os próprios medos no olhar.

Oito minutos até aqui.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Hemorragia

Enquanto isso o tempo passa lá fora. Aqui dentro, o frio permanece sem cessar. Todas aquelas lembranças felizes que tinha foram aniquiladas por suas atitudes erradas, fora de quaisquer planos traçados por mim e você. Fico aqui… na incessante dúvida entre decidir sobreviver sob os clichês, sentindo golpes em todas aquelas feridas que você me proporcionou, derramando sangue de meus olhos por tentar, em vão, denegrir-lhe em meu interior, ou, entregar-me ao corte da espada, sem delongas.

As pernas que se movimentam, correm depressa na tentativa inútil de acelerar o tempo, que parece estagnado, enquanto meu coração sangra pedindo por um suspiro de calmaria. Talvez quando eu paro pelo cansaço, o suor escorrendo e a adrenalina ainda pulsando, sinto-me vivo… mesmo sabendo que o que corri foi apenas um espaço real para longe do que me fazia mal. Porém, em meus dilúvios imaginários, violentos, acabo sempre surrupiado de sorrisos.

Queria ir para longe, sem olhar para trás, mas a esperança me segura insinuando-me com ilustrações já vividas, ondem estão pregados meus eternos sorrisos…

sábado, 27 de novembro de 2010

Voluntariamente involuntário

Os fios de pensamentos transformam-se em tecidos mentais que fazem o meu ser traçado por erros e acertos, maldição e libertação, riscos e rabiscos… E os tais vestígios bastardos não sepultam sua presença em mim. Mesmo que eu corra, não consigo deixá-los para trás. Seria ilusão dizer que quero realmente esquecer. Fato. Por mais que o exagero tome conta de meu paladar, só quero encontrar um meio onde as lembranças tragam apenas sorrisos, e, que parem de derramar o sangue de minha maior fonte.

Ainda ouço batidas, ternas, inseguras, feridas de um coração castigado pela desconfiança estabelecida por erros alheios. Ainda tento enxergar a tal luz que habita no final do inconsciente que faça abrir os olhos e sentir o tempo parar por momentos eternos. Reflexos do que quero ser continuam vagando pelo caminho errado do meu ser. Onde habita a vontade, não existem mais sonhos. Não por incapacidade, mas por não ter realmente aprendido a se defender da suposta dor de não concluir.

Repulsão involuntária de tentar recompor o inevitável. O sino ainda toca, a chama ainda está acesa e eu… continuo a lhe esperar na próxima esquina.

E se...

E se eu lhe disser que gosto de você de uma forma diferente das demais pessoas? Daquela forma que o coração dispara assim que você invade meus olhos, que me faz perder a voz, travar movimentos, sentir faltar o ar, ficar com as pernas trêmulas, criar receios por dizer palavras que podem lhe fazer querer se afastar… O que você faria? Pra mim é tão comum você ir e vir nos meus pensamentos, alegrando meus sonhos, embaçando a minha realidade por sorrisos repentinos ao lembrar de você em quaisquer situações… e eu? Como sou no seu interior? Posso ser tudo, posso ser nada. Posso ser um susto, posso ser uma boa surpresa. Posse ser… o que você sentir naquele momento.

E se eu lhe disser que não quero lhe oferecer um futuro, mas sim um presente, para dar-lhe um novo passado? Sim, futuro é clichê e só o agora que vale a pena agir. Amanhã posso não estar mais aqui e… você sentiria a minha falta?

sábado, 13 de novembro de 2010

Dormência

As horas passam e os olhos pesam. Talvez a quietude seja a melhor teoria. Quando todos os sentidos tornam-se abstratos, os movimentos limitados e o pensamento se concentrando em coisas banais, aquelas mesmas coisas que lhe tornam um ser completo.

A poeira que o vento carrega suja o sangue que purifica todos os sentimentos vaiados pela insanidade de se obter apenas o que é real. Talvez a poesia seja totalmente compreendida quando o interior pensante está esgotado a ponto de não formular mais dúvidas que enfrentam a contradição de tais veias líricas.

A imagem que o espelho reflete não existe enquanto os olhos estiverem em outros pontos de vista. Assim como sua beleza que não há valor algum se eu, vagamente, desviar o foco.

Os faróis ainda estão acesos, mas, neste momento, recolho-me em direção contrária a luz que cega, castiga, mutila a visão e faz a alma clamar por… dormência.